Devo entregar as primícias ao meu pastor?

Muitas igrejas adotam a prática de entregar as primícias (presentes materiais ou valores monetários)  para o pastor. Entretanto, a prática de entregar as primícias para o pastor não tem um fundamento bíblico sólido no Novo Testamento. Ela é baseada em princípios do Antigo Testamento, onde as primícias (os primeiros frutos da colheita) eram oferecidas ao Senhor e destinadas ao sustento dos sacerdotes levitas (Êxodo 23:19; Números 18:12-13; Deuteronômio 26:1-11). No entanto, no contexto da nova aliança, o sacerdócio levítico foi substituído pelo sacerdócio universal dos crentes (1 Pedro 2:9), e não há um mandamento para entregar primícias a líderes eclesiásticos.

A seguir serão verificados alguns pontos sobre este assunto:

1. O que eram as primícias no Antigo Testamento?

As primícias eram a primeira parte da colheita que o povo de Israel entregava a Deus como reconhecimento de Sua provisão. Eram levadas ao templo e destinadas aos sacerdotes levitas (Êxodo 23:19; Números 18:12-13; Deuteronômio 26:1-4).

2. A Nova Aliança e o sustento dos líderes

No Novo Testamento, encontramos princípios de sustento pastoral, como em 1 Coríntios 9:14 ("Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho") e 1 Timóteo 5:17-18, que ensina que os presbíteros que governam bem, principalmente os que se dedicam ao ensino, são dignos de honra e sustento. Entretanto, isso não se traduz em uma prática obrigatória de entrega das primícias, mas sim em uma responsabilidade da igreja em prover o sustento para seus líderes.

3. Ofertas e dízimos na Nova Aliança

As contribuições devem ser feitas voluntariamente e com alegria, sem imposição (2 Coríntios 9:7). O princípio Bíblico é de generosidade, proporcionalidade a renda e cuidado com os necessitados, além do sustento da obra de Deus.

4. Devo entregar primícias ao meu pastor?

Não há um mandamento bíblico que obrigue essa prática. Se sua igreja ensina sobre isso e você deseja contribuir, faça-o de forma consciente e voluntária, como um ato de gratidão a Deus, e não por obrigação. Também é importante salientar, que não existe barganha com Deus, a entrega de primícias ao líder espiritual não lhe concederá obrigatoriamente qualquer tipo de benção.

Em algumas igrejas, essa prática pode ser usada de forma saudável, como uma oferta voluntária de gratidão a Deus e um reconhecimento ao ministério pastoral. Porém, em outros casos, pode ser distorcida para impor um fardo financeiro sobre os fiéis ou até mesmo para benefício pessoal indevido de líderes.

O mais importante é que qualquer prática financeira dentro da igreja seja transparente, baseada na graça e no amor cristão, sem coerção ou manipulação. O sustento pastoral deve ser equilibrado e justo, sem cair em extremos de abuso ou negligência.

- Pr. Anderson Weige Dias

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